Do Habitar
PORTUGAL
Em pareceria com a Câmara Municipal de Matosinhos, instituição que desde o início desta escola lhe tem prestado o melhor apoio, vai a ESAD publicar os textos que resultam da conferência sobre o Habitar. […] O tema do Habitar, como vozes mais autorizadas discutirão nos textos apresentados, é de grande actualidade face às mutações do nosso modo de viver, consequência das inovações tecnológicas e técnicas. O que vai mudar, o que permanece? Será a casa do futuro o mesmo lugar de convívio, familiar, de repouso ou não passará de um quarto de hotel onde se passam algumas noites? Conseguiremos ter o controlo do nosso tempo para desfrutar do que construímos ou seremos cada vez mais escravos de interesses estranhos? A ESAD tem uma missão bem definida desde a sua criação: ser um lugar aberto, multicultural, onde se debatem os grandes temas do presente, onde através da confrontação de ideias e de saberes se formam cidadãos conscientes e interventores.
Não queremos só fazer bons profissionais, queremos gente capaz de ajudar a criar um melhor futuro para todos. Afinal não é, ou devia ser, este o grande objectivo do Design?
A Habitação é um produto funcional e cultural que reproduz relações, fenomenologias e efeitos típicos do tecido social que a gera. Assim, o habitar é um conceito que se tem transformado ao longo do tempo, acompanhando especificamente posturas, ritmos, significados e desejos das sociedades. […] A necessidade de uma reflexão sobre o tema do habitar vem da constatação que a sua evolução está a chegar a uma fase de viragem, resultado das grandes transformações do habitar que emergem a partir do novo cenário económico global. […] A razão desta publicação, que tenta pôr em diálogo contribuições vindas de vários campos disciplinares, é a de estimular uma reflexão crítica inclusiva, capaz de activar reflexões mais profundas e baseadas na observação da actual sociedade, voltada para o neo-liberalismo, o hedonismo e o bem-estar aparentemente livre e massificado. De facto, a transformação da nossa cultura material por sectores “compartimentados” já não faz sentido. Nem faz sentido enfrentar as suas problemáticas com instrumentos disciplinares demasiado específicos. Como aconteceu na Renascença, também hoje é necessário reflectir sobre o papel do projectista na sociedade, com o intuito de lhe devolver a responsabilidade cívica que, a partir da época moderna, sempre caracterizou o seu operar.
Editores ESAD/Escola Superior de Artes e Design, Matosinhos
Câmara Municipal de Matosinhos
Coordenação da edição Maria Milano
Textos Maurizio Vogliazzo; Paolo Deganello; Pierluigi Nicolin; José Forjaz; João Álvaro Rocha; José Joaquín Parra Bañón; Licia Taverna e Stefano Montes; José Bártolo; Ana Rainha; Álvaro Domingues; João Paulo Cardielos; Cláudia Albino; Álvaro Siza Vieira; Ettore Sottass, Isao Hosoe, Nuno Grande Aires Mateus & Associados, António Portugal & Manuel Maria Reis; Nuno Valentim, Maria Milano & Frederico DEça; Atelier do Corvo; Barbosa & Guimarães Arquitectos; Cláudia Albino & João Cardielos; Inês Lobo & João Belo Rodeia; Isabel Furtado & João Pedro Serôdio; João Mendes Ribeiro; Cristina Guedes & José Gonçalves; Labastida & Maia; Nuno Brandão Costa; Paula Santos; Pedro Domingos; Pedro Resende Leão & Miguel Carrapa; Pedro Maurício Borges
Design gráfico Sérgio Afonso
Design Tipográfico Dino dos Santos
Ilustrações Luís Mendonça
Impressão Marca-AG
ISBN 972-98303-2-0
Idioma Português
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