Processos Criativos
A emergência de ideias na perspectiva sistémica da criatividade
PORTUGAL
Processos Criativos. A emergência de ideias na perspectiva sistémica da criatividade é um livro sobre o fenómeno da criatividade e os mecanismos do processo e pensamento criativos que levam à inovação. A perspectiva sistémica da criatividade permite-nos compreender melhor a complexidade da emergência de ideias e conduz-nos aos factores que compõem um sistema (pessoa, equipa, empresa) que, em interacção com outros, cria novidade. E quando compreendemos os fundamentos e os mecanismos do processo criativo, temos mais possibilidades de pensar criativamente e de realizar acções que conduzam à emergência de algo novo, quer individualmente quer em grupo.
Após uma introdução teórica ao fenómeno da criatividade, Katja Tschimmel tenta estimular a reflexão e a aplicação do novo conhecimento em exercícios práticos (propostas de acção). Para facilitar a memorização de alguns dos factores importantes que, do ponto de vista do indivíduo, conduzem à emergência de novas ideias, a autora introduz o acrónimo M.O.T.I.V.A.Ç.Ã.O., que procura lembrar que a criatividade depende de vários elementos que interagem entre si.
No âmbito deste livro, com a estrutura de um manual, defende-se que cada pessoa pode fortalecer em si as atitudes e capacidades que levam à inovação, e que o ambiente que nos rodeia pode favorecer ou dificultar esse fortalecimento. Nesta medida, o manual pretende consciencializar e informar acerca da importância do contexto e estimular o desenvolvimento de pensadores e grupos criativos. O livro dirige-se a todas as pessoas que procuram uma aproximação ao tema da criatividade e/ou pretendem aprofundar os seus conhecimentos sobre o fenómeno criativo, o processo e as técnicas inerentes à emergência de novas ideias: estudantes, designers, engenheiros, gestores, professores, etc.
Edição revista e alargada de Tschimmel, K. (2009). El Proceso Creativo desde la Perspectiva de la Creatividad como una Capacidad Sistémica. Ed. Octaedro e Casa Creativa. Barcelona.
Editores ESAD/Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos
Coordenação da edição Katja Tschimmel
Textos Katja Tschimmel
Tradução e revisão Cláudia Gonçalves
Design Gráfico Rute Carvalho, ESAD/Departamento de Projecto e Comunicação
Impressão Marca-AG
ISBN 978-972-98303-6-5
Idioma Português
2 Comentários
O pensamento é uma actividade de percepção da realidade. A percepção da realidade (pensamento) é algo distinto da criatividade (o que fazer com a realidade). Olha lá os conceitos ó Katja abraço Mário Roboredo
Mário Roboredo
6 meses
Olá Mário, obrigada pelo seu comentário. Vamos então discutir os conceitos. A seguir as minhas interpretações e abordagens: 1. Criatividade: Uma noção que ultimamente foi integrada no vocabulário 'socialmente bem visto', mas que se caracteriza pela ausência de uma definição precisa e objectiva (no sentido de 'universalmente aceite') na literatura específica. Etimologicamente o termo 'criatividade' (lat. 'creare' - 'gerar' ou 'produzir algo novo') remete para a criação de algo ainda não existente e para a evolução; do indivíduo, mas também do grupo e da sociedade em geral, ou seja, de um sistema humano que possui a capacidade de produzir algo de novo, que promove a evolução ao nível cultural e simbólico. E algo de novo incentiva a evolução quando outras coisas se podem construir a partir daí. No meu entender, e como o abordei no livro Processos Criativos, a criatividade é a capacidade de um sistema composto por vários indivíduos (mesmo no caso do design de autor) que através de múltiplas interacções permite a emergência de novas ideias e de novo conhecimento, material ou imaterial. Factores importantes neste processo são, entre outros, a motivação das pessoas envolvidas no processo criativo, o seu conhecimento, as suas atitudes face à novidade, o seu estado emocional e as suas habilidades do pensamento criativo. Consequentemente, criatividade não é sinónimo de pensamento criativo, este apenas é um dos factores para que um sistema produza novidade. 2. Pensamento Criativo: O pensamento criativo, como parte da criatividade, refere-se à capacidade cognitiva de um indivíduo de intencionalmente e com uma finalidade re-estrutura elementos existentes num domínio simbólico, de tal modo que a nova combinação simbólica será avaliada pelos especialistas (que também fazem parte do sistema criativo) como original e proveitosa, tornando-se assim impulsionadora de evolução cultural. As habilidades que compõem o pensamento criativo, e que são possíveis de desenvolver com a prática, são (entre outras) as seguintes: A percepção contra estereótipos, a análise do todo e do pormenor, o pensamento em associações, a síntese via bissociação, a produção de analogias, etc. 3. Percepção: Um dos principais factores do pensamento criativo é a percepção, pois pensar criativamente significa ocupar-se de novas possibilidades e de variedade. Pensar criativamente significa olhar as coisas de outro ângulo, ver (com todos os sentidos) o que outros não vêm. Cientistas da cognição confirmam que a percepção não é um registo passivo de estímulos internos e externos, mas antes um processo de construção extremamente activo. Neste processo participam também, entre outros factores e em conjunto com os órgãos sensoriais, experiências de vida, expectativas, emoções e estados físicos. Para que o ser humano consiga pensar contra os estereótipos e expectativas dos outros, é preciso que tenha vivido experiências diferentes das de outras pessoas do seu ambiente social. Se este não for o caso, é muito difícil surpreender o outro, ou seja produzir originalidade. Técnicas do pensamento criativo (como o Brainstorming, o Mapa Mental, etc.) podem fomentar e estimular a percepção de pormenores e nuances não comuns. Algumas destas técnicas são apresentadas no livro Processos Criativos, acompanhadas por um conjunto de exercícios que permitem experimentar o mecanismo e a dinâmica da emergência de novidade, sozinho ou em grupo. Em relação ao comentário que o Mário faz, concordamos então ambos que o ser humano pensa na percepção. E percepciona diferentemente quando pensa criativamente. Percepcionar é interpretar, atribuir significados e construir uma realidade. Da nossa própria e única realidade e não de uma realidade 'objectiva' (não sei a que se referiu, quando usou o termo 'realidade' no seu comentário). E sim, concordamos também que a percepção da realidade é algo distinto da criatividade. Completamente! Será que me escapou algo na sua provocação colocada? Com simpatia Katja Tschimmel
Katja Tschimmel
6 meses